Lembro-me do corredor comprido, talvez o fosse apenas na minha imaginação infantil, porém ele era como um túnel que desembocava na cozinha de minha avó madrinha. Cozinha simples para os padrões atuais, porém de onde saíam os mais deliciosos aromas, que o tempo não me deixou esquecer. Ainda penso nos sorvetes de creme. manga ou abacate guardados na geladeira que só adultos podiam abrir, quando queriam abrir…geladeira enorme que poucos na época podiam ter. E os pedaços de carne macia tirados com o molho da panela, postos no pão e comidos antes do almoço, longe dos olhares severos de minha mãe? Cajá manga? A avó me fez descobrir seu sabor e sentadas sob a árvore do quintal nos fartávamos da fruta até ter indigestão. Adorava a neta e por ela tudo fazia, inclusive escondê-la ao saber que a filha queria colocá-la de castigo. Aromas da infância que cada um lembra de uma forma e com uma cor. Ah! os segredos meus e de minha avó.
2 comentários:
Viajar no tempo sempre foi o desejo dos homens. A ficção científica está repleta de obras pautadas no assunto. Máquinas do tempo, levando personagens de um lado a outro da história da humanidade.
Marcinha nos levou através de um túnel que desembocava numa cozinha que era a fábrica de guloseimas de todas as nossas avós. Obrigado! Adorei o doce de cajá. As mangas estavam passadas. Por isso nos fizeram mal. Beijos. Geraldo Ferreira
Nos caminhos da memória guardamos sonhos, cheiros, histórias, fantasias. O nosso olhar infantil tem uma dimensão inesgotável. Somos todos influenciados por esses segredos vividos ou imaginados. Como filha de mãe mineira, na minha boca há sempre um gosto dos doces caseiros das Minas Gerais. E na cozinha de minha tia Ninita, em Montes Claros, se fazia de tudo um pouco com as frutas do pomar da casa. Não me esqueço do doce de mamão espelhado, das compotas de figo e de goiaba, do doce cristalizado de laranja da terra... Ah você me fez sonhar! Beijos, Alice Monteiro
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